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17/01/2008

BCP perde 686 milhões em bolsa

J.N.-BCP perdeu 686 milhões um dia após eleição de Santos Ferreira

-As acções do BCP desvalorizaram, perdendo 686 milhões de Euros de capitalização bolsista, num dia apenas, mas não um dia qualquer, o dia seguinte á submissão do capital accionista do banco perante o poder político. O mercado não perdoa, a conjectura internacional não é favorável, as casas de investimento reduzem o nível das recomendações sobre os títulos do BCP, a maioria dos accionistas são quem irá sair a perder de toda esta situação, a maioria dos accionistas, não a maioria do capital, os grandes investidores, esses certamente só terão de esperar até que o estado os recompense pela sua obediência, atribuindo-lhes condições favoráveis num qualquer próximo investimento público. Para pagar tal factura, estarão disponíveis os mesmos de sempre, o contribuinte, tal como os pequenos accionistas do BCP, os perdedores de toda esta negociata. Claro que não estou a defender a anulação dos direitos dos grandes investidores, nem contra o capitalismo, defendo o funcionamento duma economia de mercado, acredito no liberalismo económico, mas neste episódio lamentável do BCP, funcionaram políticos, pressões, cunhas, compadrios, tudo menos o mercado.

16/01/2008

Socialismo 1 - Capitalismo 0

-Santos Ferreira foi eleito presidente do conselho de administração do BCP, com 97,76% dos votos. Esta votação traduz a meu ver, a submissão dos grandes accionistas aos interesses do estado, não por acaso quando o governo é socialista, aliás será curioso verificar que a lista encabeçada por Miguel Cadilhe, obteve uma votação expressiva em número de votantes, pequenos accionistas. Para corroborar a minha afirmação, será fácil verificar, que todos os agora eleitos, Santos Ferreira, Armando Vara e até Paulo Macedo, são oriundos do estado, ou do sector público, o que vem dar ao mesmo, quanto aos grandes accionistas, todos eles são tutelados pelo estado, directa ou indirectamente, com golden share, ou no caso da Sonangol pelo estado angolano, no qual muitos destes accionistas têm interesses e negócios, logo estão numa situação de dependência. Tirando o caso da Sonangol, digam-me por favor, quantos administradores destas empresas accionistas do BCP têm administradores que nunca tenham estado ligados ao estado, ou aos partidos políticos do chamado arco da governabilidade, o bloco central de interesses? Para mais, vislumbrando-se no horizonte a construção duma cidade aeroportuária, a 3ª travessia do Tejo, ou investimentos públicos no Oeste, não falando dos interesses em Angola, alguém acreditará que o capitalismo quer verdadeiramente ser independente do regime socialista? Quando muitos apontam as políticas neo-liberais como culpadas dos problemas económicos e sociais que o país atravessa, será talvez altura de perguntar se existe mesmo algum liberalismo em Portugal, liberais existirão, mas não estes srs que vêm frequentemente reclamar flexibilização das leis laborais, uma menor intervenção do estado na economia e outro rumo na política fiscal e económica, que depois ajoelham de forma subserviente, defendendo princípios válidos, mas praticando um liberal-socialismo, ajoelhando-se aos pés do poder político.