02/04/2008

Qual é o problema?

Expresso - Jorge Coelho vai administrar a Mota Engil

-Sempre tive de Jorge Coelho, uma boa opinião pessoal, divergências políticas á parte, enfrentou com dignidade o trágico acontecimento de Entre-os-rios, assumindo responsabilidades políticas de imediato, não se escudando nos tradicionais inquéritos e averiguações que costumam dar em nada, nem mostrou á época qualquer apego ao poder. Irá agora assumir funções executivas na Mota Engil, uma empresa de obras públicas, cliente do estado. Eu se fosse dono da empresa, também procuraria recrutar os melhores, não me causa pois qualquer estranheza ou repulsa, esta situação, como a de Ferreira do Amaral na Lusoponte, ou outras, sob a qual os mesquinhos, invejosos e mediocres da nossa praça, costumam lançar as maiores suspeitas, e teorias da conspiração. Entre os quais muitos socialistas, que criticaram abertamente Ferreira do Amaral, diga-se. O importante não é criar legislação avulsa, procurando alargar o leque de incompatibilidades, e sim escrutinar publicamente as decisões políticas, e dotar o sistema judicial de instrumentos, que possam detectar eventuais práticas de corrupção, e penalizar efectivamente os infractores. Quanto aos competentes, honestos e pessoas de bem, deixem-nos contribuir para o desenvolvimento do país e parem com a lamechisse. Não estou a julgar o caracter de Jorge Coelho, nem tão pouco a sua competência, essa análise cabe a todos nós, quando vai a votos, ou á Mota Engil, quando resolve contratá-lo, mas não poderia ficar calado, quando já vi por aí, os boateiros do costume, a prepararem julgamentos de caracter, a não ser que tenham adquirido algumas acções, isto é matéria que lhes diz tanto respeito, quanto o sítio onde irei jantar logo á noite. Nem Jorge Coelho precisará que o defendam, diga-se!

7 comentários:

Diogo disse...

Que ingenuidade, meu caro. Já se perguntou se a Mota Engil foi beneficiada pelo PS?

Tiago R. Cardoso disse...

Mas é de desconfiar...

Tudo bem que sejam competentes, etc. mas muita dessa gente não conta o que sabem, conta onde estiveram e o que são.

António de Almeida disse...

-Não, caro Diogo, não é ingenuidade, caso a Mota Engil tenha tido, ou venha a ter, benefícios ilícitos, passa a corrupção, é crime, de contrário, trata-se apenas duma relação laboral, como muitas outras.

Anónimo disse...

Este post é uma vergonha.
Tinha outra opinião a seu respeito.
Pelos vistos, estava enganado.
Passe bem!

espumante disse...

Meu caro António de Almeida

Habituei-me a considerar um perfil diferente de Jorge Coelho para CDEO de uma empresa como a Mota-Engil. Comento, porque fui um dos que registaram a aquisição da Mota nos termos em que, presumo, leu.
Eu não gosto de Jorge Coelho, por várias razões, mormente por ser trauliteiro, pouco culto, falar mal e pornograficamente populista (a própria demissão dele depois da queda da ponte, foi um acto político que não leva a lado nenhum e que lhe rendeu juros fartos).
Por outro lado, a Mota-Engil é livre de admitir quem quiser e na pespectiva que lhe der mais jeito, inquestionavelmente. Não tenho nada com isso. Tenho só com o facto de eu achar que o Jorge Coelho é um exemplo (tal como muitos outros, ainda hoje me lembro de Armando Vara a berrar na 25 de Abril...) da promiscuidade em que vivemos e que só é possível por termos políticos tão medíocres quanto este.
Peço desculpa por estar a ser tão directo, já percebi que a sua opinião é totalmente diversa da minha, mas é rigorosamente esta a minha opinião.
Se não houvesse mais razões, eu resumia a coisa dizendo que odiaria ter um CEO que me disesse numa reunião "hadem ver!" ou que aplicasse uma política de "quem se meter connosco leva".
Acho que é tudo.
Como leio o "Direito de Opinião" todos os dias e sei que você me privilegia também com a leitura do "Espumadamente" achei que deveria fazer este comentário, de contrário não o teria feito.
Aceite um abraço
Nelson Reprezas

António de Almeida disse...

-Caro Espumante, é evidente que não sou socialista, nem grande adepto político de Jorge Coelho, embora no plano pessoal respeite as suas posições. O ponto fundamental da questão, a meu ver, será o direito por parte da Mota Engil, de contratar o CEO que entender, embora existissem melhores opções, só que face ás grandes obras que se avizinham, preferiram alguém próximo do actual poder político. É uma legítima expectativa como qualquer outra, mas, cá estaremos para denunciar qualquer comportamento menos claro por parte dos governantes, já que o facto de aceitarmos a expectativa da Mota Engil como legítima, não quer dizer que possamos sequer conceber a hipótese que a mesma venha a obter sucesso, pois seria uma promiscuidade inaceitável entre amigos, com prejuízo do país. Penso que percebeu o meu ponto de vista, que é não proibir á partida através de incompatibilidades, mas fiscalizar a práctica. Aliás, a partir de agora a Mota Engil estará debaixo de investigação, nem sei mesmo se não terão acertado um tiro no pé, mas é lá com eles, nem sou accionista.

Raposa Velha disse...

Creio que o Jumento resume bem a situação: «Dizer que Jorge Coelho está afastado do governo há sete anos para justifica a sua entrada na Mota-Engil só merece uma gargalhada, o ex-dirigente tem mais força nas decisões do executivo do que a maioria dos seus ministros.»