07/03/2008

Para quê um acordo?

PUBLICO-Acordo Ortográfico: Governo diz que seis anos é prazo de transição “razoável”


-Nem 6 anos, nem 60, para que precisamos de um acordo que nos roubará a identidade linguistica? Porque razão teremos de passar a escrever como os brasileiros? Pela força dos números? Por mim não tenciono mudar os meus hábitos, e como não serei avaliado, irei continuar a practicar o acto de escrever, e não "praticar o ato", com prazer, na lingua de Camões ou Fernando Pessoa, sem qualquer falta de respeito para com aqueles que também escrevem numa lingua muito parecida, que nos é familiar, pois tem a mesma origem, mas é diferente, tem a sua identidade própria. Os burocratas que agora nos querem formatar, colocando todos a escrever da mesma forma, não percebem que as linguas vivas estão em constante evolução, pela fala, pelas necessidades da população e nunca por decreto. Mesmo reunificando a lingua agora, bastarão umas décadas para que os caminhos se tenham separado. Gostaria mesmo era de perceber o pensam deste assunto os nossos grandes escritores e poetas.

3 comentários:

joshua disse...

Eu não sou pela Ortografia Unificada. Sou todo pela Heterografia Plural e Fundamentada da Língua Portuguesa.

Penso inútil qualquer uniformização gráfica do Português. Nada se pode fazer quanto à diversidade expressiva oral da mesma Língua Portuguesa por esse mundo fora, como se sabe, e ainda bem! e os caminhos gráficos tomados pelos brasileiros são opções de gestão ortográfica e de independência heterográfica que não invalida nem nunca invalidou, a não ser com compreensível estranheza, a nossa leitura a partir de aqui.

A parte ortoheterográfica assim contorcida por um 'Acordo' e falsamente democratizada levar-me-á a extremar a minha posição de criativo e de poeta, vincando grafias intersseculares e diacrónicas do Português: escreverei philosophia e grafarei Pharmácia, juro!, e farei outras manobras de resistência e de independência grafante em defesa da minha invenção gráfica da língua Portuguesa, do meu direito de invenção e convocação gráfica da Mui Multissecular e Igualmente Nobre Língua Portuguesa.

Tudo é convenção. A convenção não me dobrará. Eu, enquanto criativo e poeta da Lusa Língua, grafarei o Português a meu bel-prazer e o meu bel-prazer é saber-lhe a história.

Tenho dito, António!

PALAVROSSAVRVS REX

Tiago R. Cardoso disse...

Reconheçamos que e preciso uma orientação comum, mas não acredito em sermos nós a modificar, acredito sim que devem ser os outros países de expressão portuguesa a voltarem para o português.

SILÊNCIO CULPADO disse...

António Almeida
Não sou grande escritor nem poeta mas a minha cabeça pensa muito triste em relação a isso. É uma espécie de colonização da nossa língua, é um dobrar da espinha dos minoritários aos maioritários. Estou desconsolada.

"Ah, quanta vez, na hora suave

Em que me esqueço,

Vejo passar um voo de ave

E me entristeço!"

Fernando Pessoa


Um abraço