11/06/2007

Direita aprende e moderniza-se?

-Foi com alguma surpresa que li as declarações do engº L. Nobre Guedes, destacado dirigente do CDS-PP, sugerir a criação dum contrato jurídico que regulasse as uniões entre pessoas do mesmo sexo, e digo que foi com surpresa pois essa proposta surgiu de onde menos eu esperava, mas penso que ela não pode ser dissociada do recente referendo sobre a IVG, com os resultados desastrosos que se conhecem, nomeadamente para o CDS-PP, que enquanto parte integrante de 2 recentes governos, recusou qualquer alteração á lei então vigente, e foi pena, porque tendo na altura defendido o Não, se se tivesse avançado para a descriminalização, o que é diferente de despenalização, talvez nem tivesse existido referendo nesta legislatura, uma direita que se quer moderna, tem de se adaptar ao tempo presente, não pode assobiar para o lado como se as situações não ocorressem, aliás há factos que concordemos ou não existem pura e simplesmente, logo não os devemos ignorar, e afectam pessoas, este é um dos casos, quando pessoas do mesmo sexo optam por viver em comum, não vale a pena sermos contra ou a favor, porque elas vão continuar a viver em comum, e se partilham uma economia comum, o estado permite que registem bens em comum, que paguem os seus impostos em comum, então porque não aceitar um registo legal da situação, por exemplo registo a ser feito em cartório notarial como uma escritura que constitua uma firma por exemplo? e que confira aos seus titulares direitos e deveres que eles próprios pretendem assumir perante os mesmos, o estado e a sociedade? Será preferível aliás que a direita, por exemplo o engº Nobre Guedes deveria apresentar proposta nesse sentido, tome a iniciativa, em vez de num amanhã talvez não muito longinquo, venhamos a ter o "nosso Zapatero", a querer legalizar casamentos entre pessoas do mesmo sexo, celebrados nas conservatórias do registo civil, e termos de aturar com palhaçadas que só servirão para dar mediatismo a meia dúzia de pessoas que não terão outro acesso a televisões, também estas sempre ávidas de apresentarem casos quanto mais polémicos melhor! Se as situações existem, poderemos reconhecê-las, legislar com bom senso, e quem quiser outro tipo de cerimónias poderá fazê-lo dentro da sua esfera privada, sem ser nos locais do estado. Espero que nesta matéria, as pessoas, nomeadamente as que na Direita portuguesa, têm o mérito de pensar pela sua própria cabeça, e não pelo directório partidário, estejam atentos, nesta e noutras matérias, saibam avançar, que irão esvaziar de conteúdo as propostas radicais da esquerda que se diz moderna, mas que é pura e simplesmente radical, porque a esquerda moderada não deixará de aprovar as iniciativas que venham do lado direito do espectro político nestas matérias. Se há lições a tirar do último referendo, esta é uma delas, e mais vale anteciparmo-nos do que irmos a reboque, e tentarmos depois diminuir os estragos, como andam agora a tentar em matéria de regulamentação da lei da IVG, porque depois estaremos sempre à mercê de alguns radicalismos e fundamentalismos ideológicos.

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