24/10/2007

Greve dos pilotos na TAP

J.N.-Pilotos deixaram 65 aviões em terra

-Não pretendo colocar em causa, o constitucionalmente consagrado direito à greve, mas acho legítimo questionar, se uns quantos funcionários duma empresa pública, neste caso a TAP, têm o direito de causar embaraços a milhares de pessoas, que vêm a sua vida afectada duma hora para outra. Existe uma lógica na marcação do exercício do legítimo direito à greve, que valerá a pena questionar neste caso, é sabido que as viagens de avião, particularmente as de longo curso, têm necessariamente de ser adquiridas com meses de antecedência, não podendo ser comparadas a quaisquer outras, por vezes estão encadeadas numa lógica de conexão de voos em aeroportos de ligação, será aceitável um sindicato marcar uma greve num prazo bem mais curto do que aquele que o passageiro necessita para adquirir o seu bilhete? E quem paga os prejuízos causados ao passageiro? A companhia aérea restitui o dinheiro do bilhete vendido, ok, mas, e se existir um voo de ligação noutra companhia no aeroporto de destino? Essa segunda companhia nada tem a ver com o caso, poderá cancelar o bilhete em caso de comunicação de desistência, mas tal acarreta custos, e um eventual destino de férias? Também se pode desistir duma reserva já efectuada? Pode, mas também tem custos! Quem os suporta? Vale a pena meditar se será mesmo a TAP a principal afectada pela greve dos pilotos. Mas talvez isto não se verificasse, se a TAP já tivesse sido privatizada, não faz qualquer sentido a existência duma empresa destas nas mãos do governo, resultando em custos sucessivos ao longo dos anos, suportados pelo contribuinte. Para prestação dum serviço público, nomeadamente o que é prestado enquanto solidariedade e coesão territorial nacional, ás regiões autónomas, bastaria lançar um concurso público internacional, contratanto o governo que lhe apresentasse a melhor proposta numa relação qualidade/preço, deixando nós cidadãos contribuintes, de ter de suportar, ainda por cima duplamente, os custos das sucessivas greves que têm delapidado o nosso património, duplamente porque o pagamos no custo dos serviços adquiridos a esta empresa, e através dos nossos impostos, sempre que a empresa apresenta prejuízos.

3 comentários:

Rui Caetano disse...

Eu sei bem que os pilotos têm o direito de fazer greve para tentarem defender os seus direitos laborais, mas em relação a estes direitos, tenho muitas dúvidas se terão mesmo razão. Pois a ser verdade o que já li sobre estes pilotos, se for verdade não têm mesmo razão. Pois parece que querem a reforma mais cedo para poderem ir voar para empresas privadas e no esatrangeiro. Não sei onde está a verdade. Mas convinha esclarecer.

maria disse...

todas as opiniões são válidas e hão-de haver questões realmente passíveis de análise, mas eu prefiro ser uma passageira conduzida por profissionais satisfeitos e nas plenas capacidades físicas do que por "caquéticos" só para fazer jeito às companhias aéreas. prefiro ser uma cliente insatisfeita uma vez por outra do que uma cliente que já era....

SILÊNCIO CULPADO disse...

Estou em crer que os pilotos têm razão. Não é uma profissão para se desempenhar a 100% a partir de uma certa idade. Agora que há companhias de low costs que abdicam do rigor máximo de segurança para serem competitivas no mercado, isso já é outra história. Acho que não devemos ir por aí.