25/10/2007

Referendo ganha adeptos no PS?

DN-PS admite vantagens do referendo ao tratado

-Vai crescendo o número de vozes no interior do PS, particularmente de figuras próximas de José Sócrates, que admitem vantagens na realização do referendo. Não posso deixar de pensar nas razões que estarão por trás desta recente "simpatia", terão que ver com a proposta de Menezes em aprovar o tratado na A.R.? Ou com a afirmação feita por Menezes no último congresso social-democrata, onde afirmou não pretender vir de braço dado com o engº Sócrates, defender nas ruas o SIM? No PS parecem vir á tona duas posições, a de que será prudente não realizar o referendo, arrumando de vez com a questão no parlamento, mas sem vantagens para o PS, pois quer PSD, quer CDS-PP, irão viabilizar o tratado, ou a alternativa, talvez preferida, mas ainda não confessada de José Sócrates, que vê uma possibilidade de fragmentar destacadas figuras do PSD, no PS a questão será apenas realizar ou não o referendo, se ele se realizar, estarão todos pelo SIM, no PSD Luis Filipe Menezes terá obrigatóriamente de defender o SIM, mas Pacheco Pereira e outros, poderão vir a baralhar-lhe as contas, no CDS-PP a divisão poderá ser ainda mais profunda. Para mais os socialistas estão convencidos da vitória do SIM por larga margem, sendo o referendo vinculativo ou não, no que a realização deste, deixaria as mãos livres para eventuais aprovações futuras, com o pretexto duma ampla vitória, uma eventual baixa participação seria ainda melhor, porque serviria de justificação para a não realização de referendos futuros, recebendo ainda o bónus, do cumprimento duma promessa eleitoral, algo que José Sócrates fará facilmente, afirmando que sempre foi pela realização do referendo, mas não o poderia ter dito anteriormente, pela presidência portuguesa da U.E. O argumento de não realizar referendo em Portugal para não servir de exemplo a outros países, poderá ser facilmente contornado pela realização do referendo na Irlanda, e pelo facto de Portugal nunca ter submetido ao eleitorado qualquer questão europeia, para além de aparentemente os portugueses apoiarem na sua maioria a construção da U.E., o que não admira, pois muitos vêm a Europa como a origem do dinheiro para nos pagar as obras. Desconfio sempre dos motivos socialistas, e a verificar-se esta súbita mudança de estratégia, não posso deixar de registar que resultará duma hipocrisia política, motivada por tácticas partidárias, em vez de convicções ou respeito por promessas feitas ao eleitorado, embora fique satisfeito como cidadão, pois sou publicamente um defensor da realização do referendo.

2 comentários:

SILÊNCIO CULPADO disse...

Pobre País quando questões desta envergadura estão sujeitas aos jogos de poder e os interesses das famílias políticas. Pouco importa, neste caso, a legitimidade e a opinião dos portugueses. Pouca consideração já se tem por este povo. E assim vai-se andando. Até quando? Não sei. Sei que cada vez me revejo menos no que vejo.

cadeira do poder disse...

Não acredito que vá haver referendo. Mas nada como esperar para ver.