14/02/2008

Muito pouco para quem tanto prometeu




-Cerca de 4 meses passados sobre o congresso do partido em Torres Vedras, já existiram alguns acontecimentos importantes na política portuguesa. O governo socialista mudou a opção de construir um aeroporto na Ota para Alcochete, anunciando uma 3ª travessia do Tejo, ficou por cumprir a promessa eleitoral de realizar um referendo sobre o Tratado Europeu, influenciou a composição dos orgãos do Millenium BCP, o crescimento económico está abaixo do previsto, a reforma do SNS passou á gaveta, a par da reforma da administração para a qual não existe coragem política, resta a educação, manifestamente pouco para um governo que se auto-elogia como "um governo que tem coragem para decidir", entre muitos outros erros do dia a dia, já não falando da questão mais pessoal das assinaturas do engº Socrates. Terreno fértil para qualquer lider da oposição, Luis Filipe Menezes que prometeu, em sentido figurado, comparecer de manhã na fábrica que encerra e de tarde na comunicação questionando as políticas do governo, em bom rigor não comparece em parte alguma. O seu estilo de liderança começou a desenhar-se logo em pleno congresso, quem não se lembra daquele triste episódio com Manuela Ferreira Leite, salvo entretanto por Ângelo Correia, depois a questão da liderança parlamentar, daí para cá as questões que preocuparam verdadeiramente Luis Filipe Menezes, foram colocar um militante do PSD na CGD, objectivo atingido, e influenciar a composição dos paineis de comentadores nas estações de televisão, objectivo fracassado. Aos reais problemas do país, Menezes responde com um silêncio que poderá ser considerado estranho por muitos, julgo que deverá ter sido aconselhado pela Cunha Vaz a permanecer calado á espera do desgaste de José Socrates, percebo a estratégia, e também não lhe encontro alternativa, se estivesse a trabalhar como consultor de imagem de Menezes preferiria mil vezes que este não falasse, para evitar andar no dia seguinte a procurar minimizar os danos da sua errática intervenção, pois já todos percebemos que Menezes quando se solta, é cada tiro cada melro, não acerta uma. Curioso será verificar que da parte do governo, e do próprio PS, não surge qualquer ataque á actual direcção do PSD, ou á Câmara Municipal de Gaia, a manutenção desta liderança social democrata representa uma apólice de seguro sobre a actual maioria, pelo que outros alvos vão sendo selectivamente escolhidos, procurando não contribuir para o desgaste interno de Menezes.

4 comentários:

Tiago R. Cardoso disse...

Tem toda a razão, perante tão fraca oposição o PS só tem de ir gerindo a coisa.
Se ao Sr. Marques Mendes faltava carisma, a este falta presença física, é que simplesmente ele não consegue aparecer.

quintarantino disse...

Sendo sincero, e eu até nem sou social-democrata, tinha uma boa impressão da acção de Luís Filipe Menezes à frente do Município de Gaia.
Escrevi na altura que ter pactuado com Pedro Santana Lopes foi o seu primeiro erro de palmatória à frente do PSD. Nunca mais se recompôs.

Atreides disse...

Muito bem observado!
Quando Mendes se preparava para poder atacar a sério o Governo, tiram-lhe o tapete de debaixo dos pés.

joshua disse...

É exactamente como um jogo de Xadrez só que apenas com peões.