02/02/2008

A ética republicana

-Apesar de não ser monárquico, já ontem tinha assinalado a efeméride centenária do assassinato do rei D. Carlos, criticando a falta de coerência do Exército e do ministro da Defesa Nacional, ao submeterem-se a caprichos duma certa esquerda republicana, que se julga éticamente superior. Esteve bem o sr. Presidente da República, esteve ao nivel, mal como sempre o historiador Fernando Rosas. O parlamento recusou entretanto um voto de pesar pelo regicídio, não percebendo a importância de tal voto ter sido apresentado 100 anos depois, também não encontro justificações para a recusa do mesmo, a não ser na tal ética republicana. Mas afinal o que é essa tal ética republicana? Um projecto político? Não, isso já passou á história, infelizmente nela escrevendo das páginas mais negras que Portugal já viveu, onde a canalhice deu cartas, a mentira, as traições e a infâmia foram lei. Já não o podem dizer, mas os nossos exércitos sofreram na Flandres, as consequências das ambições políticas de canalhas do calibre dum Afonso Costa. Entre muitas outras peripécias, que levaram a população ao desespero, criando um ambiente político favorável ao estabelecimento da ditadura que conhecemos como Estado Novo. Ainda hoje existe, quem recuse homenagear um chefe de estado assassinado em funções, mas simultaneamente preste homenagem a assassinos, como ontem o fez a C.M.Castro Verde, uma instituição certamente impregnada da tal ética republicana. Ainda no âmbito desta ética repúblicana, também em Lisboa, logo fora de qualquer busca de protagonismo regional, um grupelho denominado associação promotora do livre pensamento, organizou uma romagem aos túmulos dos assassinos Costa e Buíça. Percebem-se bem estes ideais livre pensadores, espero que entre os seus membros não existam muitos Costas e Buiças do sec. XXI, prontos a debater com quem pensa diferente. Não sou monarquico, como anteriormente afirmei sou adepto de regimes presidencialistas, logo se me quiserem catalogar como republicano não rejeito liminarmente o rótulo, salvo se me tentarem associar ou impôr essa tal ética republicana, porque nunca assassinei ninguém, nem simpatizo com quem o faça.

3 comentários:

Tiago R. Cardoso disse...

Assassinar alguém dá direito a homenagem ?
É no mínimo triste...

JOY disse...

Amigo António,

Não sendo um adepto da causa monárquica,sou admirador do Rei D,Carlos por não se limitar a ser um rei futil e que deixou legado cultural digno de registo.Por isso estou de acordo contigo quanto ao lamento de atitudes que esta esquerda républicana tomou em relação ao régicidio.

Um abraço
JOY

Nuno Castelo-Branco disse...

A ética republicana é esta:
1. Liberdade condescendente e condicional, desde que se enquadre nos limites estabelecidos pelos seus tutores.
2.Igualdade inter pares, excluindo-se todos os que não cumpram a cartilha ou creiam na mesma fé.
3.Fraternidade (ou como dizia o Afonso Costa, Fróternidade). Escutas, entradas intempestivas no local de trabalho, penhora coerciva e abusiva de bens e recursos, expulsão do local de trabalho, "mobilidade" do ministério para um tacho no banco. Ligada ao ponto 2.

Como nota final, apenas um reparo: é que na verdade, por não aceitarem a concentração de poderes num homem só - vulgarmente chamado de Presidente ou venerando - , os chamados monárquicos, são os melhores republicanos. Porque, como Laffayette dizia, a Monarquia Constitucional é a melhor das repúblicas. Mas ele era "parvo" e pobres dos nossos vizinhos que vivem oprimidos por aquele horrível regime, tal como a Dinamarca, Suécia, Noruega, Holanda, R.U., Canadá, etc. Pobres diabos, deviam aprender umas coisitas connosco.