20/01/2008

Desertificação interior

-Ontem vi no telejornal da RTP 1, uma reportagem que dava conta dos investimentos espanhois realizados na produção de azeite, no Alentejo entre Beja e Serpa, aproveitando a proximidade do Alqueva, que segundo os próprios favorece a plantação de olival. Hoje li algures que o casino de Chaves, aposta na proximidade com Espanha, para atrair clientes. Li ainda, que em Valença, a criação dum polo logistico, está a atrair investidores da Galiza, ligados ao sector automóvel. Estas 3 notícias, só aparentemente não estão relacionadas entre si, ainda ontem Luis Filipe Menezes, lider do PSD, numa atitude bem portuguesa, reclamava que o estado deixasse de cobrar IRC, como forma de combater a desertificação interior, e promover o desenvolvimento. Também passa por uma questão de mentalidades, o que significa dificuldade para os portugueses, representa oportunidade para os espanhois, por não estarem habituados a depender do estado, mas de si próprios. Mais do que subsídios ou isenções fiscais, o combate á desertificação deverá ser feito instalando no interior serviços prestados pelo estado, não criados propositadamente, é óbvio, e sim deslocalizando na medida do possivel do litoral para o interior, universidades por exemplo, laboratórios e institutos, os quais ainda teriam a virtude de atrair massa cinzenta, que tanto tem fugido das cidades do interior. Naturalmente para tal, seria necessário coragem, e vontade política, de contrário, daqui a uns anos, sem qualquer invasão, ouviremos falar castelhano na maior parte do território nacional, sem ser necessária qualquer invasão, união ibérica, ou qualquer atitude de força, e não me venham falar em regionalização para combater o problema, primeiro fixem-se populações, antes que seja efectivamente um deserto, ou que a fronteira se aproxime cada vez mais do litoral.

8 comentários:

quin[tarantino] disse...

António eu estou plenamente de acordo consigo. Fixar populações. Para isso é preciso criar e manter serviços, possivelmente (embora aqui admita que pudesse ser polémico) incentivar a deslocalização de pessoas ligadas à função pública...

Atreides disse...

Concordo também.
No entanto vemos exactamente o contrário, talvez porque nesta europa comum já não interesse quem ocupa o território (interessa apenas manter um parlamento próprio para continuar a "mamar"), desde que os impostos do mesmo território não mudem de mão.

Quanto aos incentivos aos funcionários públicos... Além dos constantes ataques que sofrem, se houvesse algum incentivo então aí sim, havia uma nova revolução.

São disse...

Há bastantes anos , técnicos judeus espantaram-se ao ver o estado em que se encontrava o Alentejo.

Agora, os espanhóis cultivam lá olivieiras. Aliás, na continuação do que estão fazendo na Andaluzia.

E nós?!

Nós temos o"interior" na cabeça!!

Saudações!

Tiago R. Cardoso disse...

Para alem da colocação de serviços, industria, etc., será também necessário mudar mentalidades, muitos olham para o interior com preconceito, acredito que perante as mesmas condições continuariam a preferir o litoral.

zedeportugal disse...

O problema da desertificação do interior é uma espécie de círculo vicioso: sem empregos, sem oportunidades, não há massa crítica populacional; sem população não há actividade económica, não há criação de empregos e oportunidades.
Para quebrar este ciclo, num país com a população em envelhecimento, era necessário criar bons serviços de saúde, excelentes unidades de acolhimento de idosos (que continuo a ver proliferar no litoral), dando bons incentivos aos profissionais de prestação de serviços nestas áreas que lá se fixassem, por forma a atrair aqueles que já não dependem de um emprego para se fixarem - os reformados. Seria a maneira de dar valor acrescentado ao grande volume monetário de pensões e reformas, que agora se fica, tal como tudo o resto, pelo litoral. Era benéfico para a economia e era óptimo para os idosos, porque a vida no interior é muito menos acelerada.
Mas é claro que isto é muito menos mediático do que distribuir portáteis pelas escolas e universidades...

Quero ainda deixar aqui uma convocatória para um treino das próximas eleições. Por favor, ide votar aqui:
http://umjardimnodeserto.nireblog.com/
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mil-palavras-passatempo-com-premio-votacao

SILÊNCIO CULPADO disse...

Caro António Almeida
O combate às assimetrias regionais passa por políticas de desenvolvimento sustentável que os governos não só não implementam como desincentivam. E isto apesar de apregoarem o contrário. Não se pode desenvolver o interior fechando escolas e centros de saúde e levantando a linha férrea. Sem infra-estruturas, nem equipamentos sociais, como é que podemos fixar populações e tornar o interior atractivo para as gerações mais jovens o desenvolverem e criarem outras oportunidades? Claro que a criação dum emprego lá equivalerá, em custos, a 5 ou 6 em Lisboa. Mas não podemos pensar no hoje que já é ontem. As grandes cidades e os subúrbios trarão problemas insustentáveis no curto médio prazo e depois não teremos alternativas rápidas e eficazes.

SILÊNCIO CULPADO disse...

António Almeida
Tenho mais um prémio para si no Silêncio Culpado.
Um abraço

Anónimo disse...

Pois há pelo menos três décadas que os governos andam com os olhos trocados! Este então est´a exagerar que é de mais. Acho que os ministros estão todos estrábicos- os dois olhos estão virados para a faixa litoral.É uma pena que as pessoas que se metem a governar um país não tenham mais visão,mais inteligência.Mesmo num interior fronteiriço tenha aspectos muito agrestes há sempre possibilidades de valorizar as poucas potencialidades o que é oreciso é ter olhos bem abertos na testa e excelente massa cinzenta. Aqueles que têm estas faculdades conseguem criar empresas produtivas,mesmo num deserto.No entanto há um trabalho que cabe aos governos e eles baldam-se.